Em funcionamento desde 2006, uma lojinha simpática que é também patrimônio para o veganismo em São Paulo.

Já faz tempo que a Galeria do Rock está mais diversa. A cultura afro, do skate, do hardcore e do hip-hop ganham cada vez mais espaço lá, que continua sendo um dos lugares mais legais para passear na cidade, ainda mais para quem procura culturas mais “alternativas”. Entre lojas de roupas e discos, estúdios de tatuagens e lanchonetes está a Arte Vegan, inaugurada em 2006 e a mais antiga loja de produtos veganos em funcionamento em São Paulo. 

O pequeno espaço no terceiro andar da galeria fica bem ao lado da “Irmã mais velha”, a estamparia Arte e Tela, de onde derivou o nome, aberta em 1985. A ideia inicial da dona, Elimar Viana, também conhecida como “Xu”, era usar o Arte Vegan para vender as camisetas temáticas sobre libertação animal que a filha, Luisa Pereira, já produzia de forma independente. No início, a Xu não era vegana, mas acabou se tornando por incentivo de Luisa, vegana desde 2001. Ela, que já era vegetariana desde 1999, quando teve contato com o Hare Krishna, conheceu o veganismo pelos anarcopunks e desde então vem atuando ativamente em prol do movimento, organizando e participando de festivais, o primeiro bazar vegano do país, em 2006 e outros eventos, sendo pioneira em muitos momentos, até abrir a loja com a mãe, em dezembro do mesmo ano.

Deu tão certo que o lugar acabou se tornando um point vegano e aos poucos incorporou outros produtos. Hoje, a loja é repleta de produtos para vegetarianos e veganos, que vão desde as inúmeras camisetas e acessórios, livros e revistas a produtos de higiene pessoal e todo tipo de comida, de uma grande rede de fornecedores como Amor Perfeito, Cupcake & Chantilly, Vegan Saudável, Ateliê vip, Gato Lambe e Prática Veg

Quem ganha com essa variedade são os clientes: o que não falta são opções deliciosas para comer, seja lá qual for o tamanho do apetite. Os salgados custam entre R$6,50 e R$7,50 e dependendo do dia é possível encontrar hambúrgueres do Lar Vegetariano ou da Mun Artesanal (R$13 e R$14, respectivamente). Que estiver a fim de uma refeição mais robusta ainda pode contar com o almoço servido diariamente, no formato de marmitinhas congeladas (que podem ser aquecidas e consumidas lá mesmo). O prato mais “simples”, com arroz e panqueca, sai por R$11, e opções como feijoada ou moqueca custam R$14. Para beber, água grátis, suco de guaraná, chá de hibisco e o YakoVeg (R$6, 200 ml), uma versão alternativa e muito fiel ao leite fermentado, com sabor forte de infância. De sobremesa, tem pão de melado, paçoca caseira, sorvetes da Iofi, entre outras delícias.

Atualmente, segundo elas, cerca de 30% do público é composto por pessoas que trabalham nas outras lojas da Galeria e arredores, que vão ao Arte Vegan almoçar ou fazer um lanche diariamente, o que mostra que o veganismo acaba sendo cada vez mais familiar para quem está ali por perto. Seja como um ponto pra correr quando bate aquela fome durante o passeio pelo centro ou para fazer o estoque de produtos veganos e também adquirir roupas e acessórios, mais legal ainda é ver a família Arte Vegan continuar firme e forte na galeria, assistindo a todas as mudanças e resistindo após todos esses anos, com muita simpatia. “Onde mais tem uma vovó vegana assim em São Paulo?”, brinca Luisa, se referindo à mãe. No fim, rock, hardcore, hip-hop e veganismo são exatamente sobre isso: resistência, com cabeça e corações abertos.


Arte Vegan

Avenida São João, 439 – 3º Andar – Loja 429 – Galeria do Rock – São Paulo – SP

Telefones: (11) 3333-6576 | 3222-6702

Horário de funcionamento: segunda a sexta das 10h às 19h; sábado das 10h às 18h

Aceita cartões de débito e crédito

www.artevegan.com.br

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Guilherme Petro

Formado em Gastronomia pelo Mackenzie, já passou por diversas áreas dentro e fora dos restaurantes. Foi cozinheiro, garçom e fez gestão até de cozinhas universitárias. É gastrólogo, sommelier, bartender, assessor e fotógrafo de restaurantes, além de técnico em informática e de fazer ponto cruz, entre muitas coisas mais. Ele foi um dos jovens formado em Jornalismo pelo projeto Énois, e é co-autor e hoje coordenador do Prato Firmeza — Guia Gastronômico das Quebradas.