Aquela dúvida clássica de quem tá pensando em cortar (ou já cortou) os produtos de origem animal: será que dá pra ter cálcio suficiente comendo só plantas? Rola muito mito e meia informação sobre esse nutriente por aí. Então vamos direto aos fatos.

O cálcio é o mineral mais abundante do corpo humano. Ele é peça-chave na estrutura dos ossos e dos dentes, além de ter um papel importante nas células e no plasma sanguíneo — ou seja, é um nutriente essencial pra sua saúde.

Dependendo do tamanho, da idade e do sexo da pessoa, o corpo carrega entre 1 e 1,4 kg de cálcio.

Existe uma ideia bem espalhada de que os alimentos de origem animal são especialmente bons pra manter o equilíbrio de cálcio do corpo. Só que não é bem assim! É verdade que leite, ricota e queijo têm bastante cálcio. Mas isso não quer dizer que esse cálcio seja bem absorvido.

Aqui entra o conceito de biodisponibilidade — a capacidade do corpo de absorver de fato um nutriente. No caso do cálcio, isso depende de alguns fatores:

  • O equilíbrio ácido-base do corpo
  • O estado atual de cálcio e de vitamina D
  • Os inibidores presentes nos alimentos durante a absorção do cálcio

Quando o corpo acumula uma carga ácida alta, ele usa as reservas de cálcio do tecido ósseo pra neutralizar isso. E essa carga ácida pode vir, por exemplo, do consumo excessivo de proteína animal.

Uma alimentação à base de plantas, por ter bastante fruta e verdura, favorece um equilíbrio ácido-base melhor — e isso cria condições mais favoráveis pra absorção do cálcio.

Por outro lado, também existem inibidores, como os fitatos, a cafeína e os oxalatos, que podem reduzir a biodisponibilidade do cálcio — parecido com o que acontece com o ferro e o zinco.

Um exemplo prático: se você come gergelim (rico em cálcio, como no tahine) junto com grão-de-bico (rico em fitatos), a absorção do cálcio é inibida. Mas relaxa: se você deixar o grão-de-bico de molho antes de cozinhar, os fitatos da casca da leguminosa se decompõem.

Não, de forma alguma. Os estudos mostram que o corpo humano consegue absorver melhor o cálcio de fontes vegetais do que o de alimentos de origem animal, justamente pelo alto teor mineral dessas fontes.

Além disso, os componentes proteicos dos alimentos de origem animal favorecem a excreção de cálcio pela urina (Painel da EFSA sobre Produtos Dietéticos, Nutrição e Alergias (NDA), 2015. Parecer científico sobre os valores de referência dietéticos para o cálcio. Revista da EFSA 13).

A ingestão diária recomendada varia com a idade. A partir dos 19 anos, as sociedades de nutrição recomendam 1.000 mg de cálcio por dia. Já os adolescentes precisam de mais, porque o tecido ósseo ainda está em formação.

Uma deficiência de cálcio — não só na infância — pode ter consequências sérias pra saúde. O risco de fraturas, de perda óssea (osteoporose) e de problemas dentários aumenta quando o mineral não é ingerido em quantidade suficiente.

De todo modo, pra manter os ossos saudáveis e um bom status de cálcio, também são fundamentais: praticar exercício físico, manter os níveis de vitamina D em dia e ter uma ingestão moderada de proteína.

Muitas águas minerais e bebidas vegetais (tipo leite de aveia ou de amêndoa) já vêm enriquecidas com cálcio. Entre os alimentos vegetais com maior teor do mineral estão a semente de papoula, o gergelim e as folhas de alga nori.

Mas você também encontra cálcio, de um jeito bem mais acessível pro dia a dia, em: nozes, figo, brócolis, couve, couve-flor, repolho, feijão, grão-de-bico e amêndoas.

O cálcio é um nutriente essencial e tem uma importância enorme pra saúde dos ossos e dos dentes. Uma ingestão adequada de cálcio não só é totalmente possível numa alimentação à base de plantas, como ainda traz algumas vantagens em relação aos alimentos de origem animal ricos nesse mineral.

O baixo consumo de proteína animal combinado com uma ingestão alta de frutas e verduras cria as condições ideais pra absorver bem os nutrientes e manter um equilíbrio ácido-base ótimo no corpo.

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